Material plástico doado ao Santuário da Mãe Rainha ajuda no fornecimento de leite para crianças de duas instituições em Londrina

As tampinhas de garrafas de água e refrigerantes, mais que integrar a classe dos materiais classificados como lixo que não é lixo, podem contribuir para a alimentação de crianças atendidas em creches e projetos socias. É este o objetivo da campanha das tampinhas solidárias realizada pelo Santuário Tabor da Esmagadora da Serpente, em Londrina.

Irmã Lucia Maria Menzel, responsável pela Pastoral do Santuário de Schoenstatt, informa que, graças ao dinheiro obtido com as tampinhas recolhidas no Santuário e em outros pontos da cidade, mensalmente, são adquiridas em média 25 caixas (300 litros de leite) que são repassadas a uma creche no Jardim União da Vitória, zona sul da cidade, que é administrada pela religiosa claretiana, Irmã Maria José, e outro projeto voltado a crianças na Capela Santa Ana, no Jardim Santa Fé, na zona leste.

Além da colaboração das pessoas que juntam o material e trazem ao Santuário, o serviço tem três importantes colaboradores, Romilda Aparecida Vieira Bento e o casal Lucia Rodrigues Teixeira Pereira e Valdemar Pereira Filho. Romilda, que pertence à Liga das Mães de Schoenstatt já contribuía como voluntária no bazar beneficente da Liga dedicado à ajuda de enfermos, não hesitou em aceitar o convite da Irmã Lucia Maria para cuidar da separação e embalagem das tampinhas recebidas pelo Santuário. “Faço isso todas as segundas-feiras”, avisa com alegria.

A cada quinze dias, após ser avisado pela Romilda sobre o volume de material disponível no Santuário, Valdemar se encarrega da comercialização das tampinhas com uma indústria de plástico de Londrina, bem como da aquisição das caixas de leite e entrega delas às entidades. Com o apoio da esposa Lucia, ele já se tornou especialista no assunto e coleta tampinhas em vários estabelecimentos e condomínios da cidade que seguem também para o Hospital do Câncer.

Valdemar não esconde a satisfação que o trabalho lhe proporciona. “Recolho tampinhas todos os dias com minha moto” diz ele mostrando como consegue ajustar as sacolas no veículo. Ele informa que nos meses de junho e julho o volume obtido reduz um pouco, devido ao menor consumo de refrigerantes no inverno e também às gincanas realizadas em escolas que têm a reciclagem das tampinhas como tarefa.

“Mas não são apenas as tampinhas das garrafas de água e refrigerante que podem ser coletadas”, explica ele. A indústria com a qual comercializa o material aceita outros tipos de tampas de plástico duro, que contenham polipropileno na composição, como as de embalagens de sorvetes, requeijão, amaciantes, pasta de dente, entre outras. “Elas são identificadas com a sigla do polipropileno – um triângulo e a letra PP”, ensina. A empresa de plásticos paga em média R$ 2,25 por quilo desse material.

Atualmente aposentado da função de consultor comercial, Valdemar conta que foi tomado pelo serviço voluntário, há aproximadamente 8 anos, a convite de um amigo da cidade de Jacarezinho, no Norte Pioneiro, onde morou. O serviço, inspirado em um capítulo do Evangelho de São Mateus, é nominado como “Projeto Mateus 25”. Aqui em Londrina, mobilizou a coleta de materiais junto aos GBRs (Grupos Bíblicos de Reflexão) na paróquia da qual participava, mas a ajuda ia para Jacarezinho. Depois, por sugestão do bispo de lá, Dom Antônio Braz Benevente, Valdemar começou a ajudar as instituições daqui.

O crescente envolvimento da população na reciclagem do lixo é elogiado por Valdemar. Porém, o serviço poderia ser ainda mais ágil se as pessoas não misturassem tanto os matérias e fizessem uma limpeza mínima das tampinhas quando vão destiná-las à reciclagem. “Pelo volume recebido, essa separação de materiais toma muito o nosso tempo e quando chegam muito sujas, o trabalho fica ainda mais complicado”, reforça ele. “Basta passar um papel toalha e retirar um pouco dos resíduos dos produtos e separar os tipos de materiais”, pede ele, destacando que o serviço pode ser mais simples e rápido com essa contribuição de cada doador.

Irmã Lucia Maria reforça o pedido para que mais pessoas participem da campanha. “As tampinhas podem ser trazidas ao Santuário e depositadas nas caixas de coleta na Capela Mãe de Deus”. A Irmã sugere ainda a coleta entre as famílias, ou que coloquem caixas em seus condomínios e locais de trabalho em busca de mais colaboradores e que encaminhem essas tampinhas ao Santuário.

Então fica a dica, tampinhas plásticas destinadas adequadamente podem resultar em leite para crianças carentes. Participe!